sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

UM PASSO A FRENTE... DEPENDE DE MIM E DE VOCÊ!

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Um passo a frente na inovação educacional  emerge da proposta de capacitação pessoal e profissional de todos os membros da instituição.
Escutamos, nos últimos anos, a grande virada com a formação dos gestores, mas  precisamos continuar avançando e priorizando a formação continuada de todos os  educadores, considerando a complexidade e as demandas da atualidade.

Acredito que precisamos aprender  a pedagogia da compaixão para  a leitura do mundo atual. Uma leitura com olhares e  gestos que promovam a qualidade de vida, no presente e para as futuras gerações.

A inovação provoca o "medo" e  as "resistências" das pessoas. É urgente uma "grande virada" mental, afetiva e comportamental para o desenvolvimento de seres humanos melhores, apaixonados pela vida e pela missão de  estender  a mão para novas parcerias, novos contatos, novos empreendimentos, novos relacionamentos... enfim perseguindo a meta de transformar as pessoas em águias, na contínua caminhada de transcendência das experiências-limite.

A teia da vida é tecida pela singularidade dos fios em conexão com outros fios, em diversas situações e momentos. O momento atual desafia-nos para o estabelecimento de vínculos  entre educadores, educandos, famílias, instituições, sociedade e redes  para a sustentabilidade da vida no planeta. Uma questão que possibilita  pensar em estratégias  éticas para  a convivência  humana no mundo em que vivemos.  

Depende de mim! Depende de você a grande virada na educação das crianças, adolescentes, jovens e adultos. Abra as mãos! Estenda as mãos corajosamente e aprenda a arte de ousar! Fortaleça seus passos e com uma energia renovada dê mais um passo a frente. Nada irá deter seus passos, quando você aprender a arte de  servir às pessoas, na  fidelidade aos seus talentos e potenciais. Trabalhe com humildade.  Não espere reconhecimento e apenas exista para ajudar as pessoas se tornarem melhores, mais humanas, mais "águias".
Depende de mim e de você, uma educação relacional, criativa e transformadora.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

CONECTANDO OS FIOS NA TEIA DA VIDA


Um espaço de aprendizagem é um espaço do vir-a-ser, de romper velhos paradigmas e construir novas conexões para aprender, desaprender e reaprender no contínuo processo de desenvolvimento humano.
Nos meus primeiros anos de magistério, tive uma experiência afetiva em sala de aula, a qual marcou profundamente a minha vida de educadora. Era o mês de maio, uma sexta-feira, um dia de “escuridão” para uma tomada de decisão pessoal. Quando entrei na sala de aula, uma criança me olha nos olhos e fala “... você está tão bonita hoje... você está diferente dos outros dias”. Deixei cair uma lágrima e abracei esta amadurecida criança. Ela, na sua sensibilidade afetiva, soube me apontar a beleza escondida nas situações difíceis. A comunicação dialógica estabelecida encorajou-me para romper paradigmas e aprender a reconhecer algo novo e significativo nas travessias da vida.  Acredito que estes são os verdadeiros encontros aprendizes -  encontros de encantamento e reencantamento, os quais abrem novos espaços dentro de nós, para o bem viver de toda a comunidade humana.
Na semana seguinte, a mesma criança me faz uma pergunta “Faz um tempão que o nosso mural está com um fio de barbante pendurado. O que você vai fazer com ele?” De novo, deparei-me com uma pergunta desafiante. Ela falava com “alma” e provocava-me para ir além do fio material.  Mas, naquele momento, lembro que a minha resposta não a satisfez, pois falei de coisas concretas, superficiais demais. Comecei falando da aula de artes e que iríamos realizar uma atividade com fios de barbante. A criança estava me falando dos fios conectados nas relações afetivas e no espaço de aprendizagem. Uma grande educadora na minha vida!  Na memória afetiva, esta vivência foi registrada e vem despertando-me para o aprofundamento do estudo da rede de relações no espaço de aprendizagem – aprender a conhecer, a fazer, a conviver e a ser.
Nós, seres humanos, somos um dos fios na teia da vida. O paradigma da ecologia profunda expressa,  de maneira significativa, o valor intrínseco de todos os seres vivos e a interconectividade, priorizando o respeito à todas as formas de vida.
Continuo refletindo: O que fazer em cada situação - encontros aprendizes - com os "fios de barbante" e com os demais “fios”?

Maria Eliane Azevedo da Silva

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

COMPARTILHANDO SIGNIFICADOS E EXPERIÊNCIAS

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O VALOR DA SIMPLICIDADE NA EDUCAÇÃO.


O que é a simplicidade?

De tão simples, muitas vezes não sabemos responder. Complicamos na vivência e na busca de respostas.
Muitas vezes, imersos no corre-corre da vida educacional, com a velocidade ultrapassando os espaços e o tempo,  não percebemos uma neblina ofuscando os olhos da nossa mente e coração. Uma  avalanche de tecnologias, de  trânsitos, de projetos... e  vamos perdendo o foco da nossa visão e de nossos princípios na educação.
Pensando na construção do conhecimento  como um processo reflexivo e interativo, podemos avançar na redescoberta dos verdadeiros valores que sustentam as relações interpessoais. Um deles é a simplicidade inteligente,  possibilitando a fluência de uma comunicação saudável e integradora.
Dentro do ser humano “aprendiz” emerge uma grande mudança, quando este é capaz de perceber o essencial abrindo espaço para o encantamento na educação e para a visibilidade de ações positivas na relação aprendiz-aprendiz. Seus contatos florescem e traduzem a grandeza da missão de educar, como disse M.Gandhi “Educação é fazer aflorar o que há de mais nobre dentro das pessoas”.
Aprender é uma arte e precisamos cultivar a criatividade para pintar a tela da nossa passagem na vida dos outros aprendizes.
Mas, o que é a simplicidade?
Podemos pesquisar o significado da palavra, a sua etimologia, mas acredito que a resposta é simples demais, pois parece não existir  uma resposta para o que é simples. Simplesmente é.
Continuemos a tecelagem dos fios de uma aprendizagem colaborativa, tendo como ponto de partida - o essencial do SER que somos e do que viremos a SER. Seja simples, objetivo, determinado, resiliente e corajoso no desenrolar da arte de construir conhecimentos significativos! Seja você, na sua essência, compartilhando significados e experiências que contemplem uma visão realista e integradora da dinâmica de viver. Os frutos virão, mas primeiro os brotos vão surgir das sementes!
Os humildes compreenderão! É simples! Olhe as crianças, olhe o ciclo da natureza, olhe seus colegas educadores, olhe você, olhe a vida!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A ostra e a comunicação dialógica na rede de relacionamentos

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Uma ostra vivia em seu casulo. Até que um dia, uma ruptura cortou seu coração. Sua mente ficou confusa, não sabia mais o que fazer em situação tão estressante. O medo da nova etapa, do novo nascimento ofuscava seu olhar para as possibilidades de sucesso. Ainda não tinha  aprendido o significado da palavra transcendência. Mas, sozinha na sua trajetória, teve um insight “sou parte do universo em transformação e vou começar hoje uma nova travessia”. Sorriu para si mesma e um sentimento de encanto brotou nas profundezas de sua vida. Começou olhar para a ruptura com um novo olhar e para além da ruptura.  De repente, observou que ao seu redor estavam milhares de ostras, cada uma em sua singularidade e processo de desenvolvimento pessoal, social.  Um olhar de aproximação, uma linguagem afetiva tornou possível o estabelecimento de um diálogo entre as ostras. Todas falavam de suas experiências, escutavam as outras e escutavam a si mesmas. Um processo reflexivo e interativo emergiu na situação de encontro consigo e com as outras ostras, sendo estabelecida uma linguagem corporativa, a partir da experiência existencial de cada uma. A comunicação verbal e não-verbal foi sendo cultivada, despertando e acordando nas ostras a capacidade de saber ouvir e propiciar um espaço de abertura para uma comunicação dialógica. A ostra compreendeu que a comunicação e o relacionamento afetivo são como as pérolas que são cultivadas nas experiências de transcendência, traduzindo-se em potenciais para o sucesso pessoal e coletivo.
O filósofo da linguagem, Mikhail Bakhtin, reconheceu a linguagem como um processo de interação contínua, mediada pelo diálogo e expressa de maneira brilhante "A língua materna, seu vocabulário e sua estrutura gramatical, não conhecemos por meio de dicionários ou manuais de gramática, mas graças aos enunciados concretos que ouvimos e reproduzimos na comunicação efetiva com as pessoas que nos rodeiam".

Uma comunicação dialógica implica em uma rede de relacionamentos afetivos e éticos. Acredito que as parábolas, as fábulas, as metáforas estimulam a nossa criatividade e acionam no cérebro a possibilidade de encontrar os significados de acordo com as nossas experiências e conhecimentos armazenados ao longo da nossa vida.
Na nossa rede de relacionamentos, como estamos cultivando as pérolas?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Travessias e atravessamentos na educação!

Um leque de possibilidades se abre nas travessias da vida e nos atravessamentos humanos.
Quando estava escrevendo esta frase, pensei   na aventura de inovar as práticas educacionais e "cutucar" as pessoas para ações ousadas que favoreçam resultados sustentáveis.
(cf. google imagem)
Uma mudança de mente, uma mudança emocional, uma mudança de práxis, uma mudança que revolucione as relações interpessoais e promova o bem viver de todos os seres humanos.
Ouse mais, arrisque mais, empreenda gestos de vida e renove o seu potencial de aprendiz em todas as situações, em todos os momentos.
O tempo corre veloz, os avanços do mundo globalizado e da tecnologia invadem os nossos espaços, a "liquidez" dos sentimentos  envolvem as pessoas... as iniciativas sócio-educativas buscam novos rumos para uma educação humanizadora e transformadora  e tudo fica tão entrelaçado!

A educação do olhar é um desafio para nós educadores e como diz Rubem Alves, devemos "aprender palavras para melhorar o mundo". Aprender olhar além da superfície e para além do visível, aprender olhar para além das palavras já aprendidas. Este desejo deve tornar-se realidade no presente e no futuro das ações pedagógicas. Pense nas gerações atuais. Pense nas gerações futuras. Ame a vida, ame as crianças, os adolescentes, os jovens, os adultos, ame você, ame os seus sonhos!
Na atualidade a palavra "sustentabilidade" está  explícita nos planejamentos institucionais, mas existe uma escassez de um pensamento sistêmico que entrelace todos os membros da instituição para o alcance da visão e missão institucional. Acredito que a "organização que aprende", como aponta Peter Senge, deve ousar na  formação continuada das pessoas e abraçar o desenvolvimento do bem viver.
Educação e gestão de pessoas, uma travessia de mão dupla. Recordando do educador Paulo Freire, penso que é urgente acordarmos para ações que contemplem a transformação das pessoas, pois são estas que irão  cuidar e transformar o mundo em que vivemos em um "mundo possível" para todos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Aprendizagem colaborativa

 Fonte: http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6647463639488947915

TRANSFORMANDO ADVERSIDADES EM OPORTUNIDADES

Para a época em que vivemos, uma frase de Einstein é  muito pertinente: "A imaginação é mais importante do que o conhecimento". Ela apresenta-se como uma força dinamizadora para a transformação do conhecimento em algo novo. Na sociedade atual, marcada pelo impacto da velocidade das informações, conectividade, intangibilidade, mudnaças e inovações, pensar em "imaginação" é pensar no real e no simbólico, é romper limites e esquemas cristalizados, é pensar no desenvolvimento de habilidades e competências, é possibilitar a construção de ações criativas na solução de problemas e na fidelização aos objetivos propostos, édesenvolver uma visão motivada para o futuro. Portanto, um dos grandes desafios na gestão educacional é a mudança pessoal, e não apenas a mudança no sistema de modernização operacional.

O filme O Mágico de OZ apresenta algumas propostas interessantes para discussão, no que se refere a relações estabelecidadas no ambiente institucional. Depois de um ciclone, a personagem  Dorothy e seu cão Totó são levados para uma terra distante. O desejo dela é voltar para casa: "A nossa casa é o melhor lugar do mundo". E a nossa instituição educacional é a melhor casa do mundo? Quais os desejos potenciais dos membros da nossa organização? Quais as situações-limite no ambiente interno e externo? Quais os objetivos e metas? Qual o nosso plano de ação? Perguntas dos nossos planejamentos estratégicos, respostas que vão sendo construídas no percurso do caminho empreendido.

Interessante  é que a equipe de Dorothy tinha um objetivo comum - encontrar o Mágico de Oz para alcançar o que desejavam. O  Espantalho desejava ter um cérebro; o Homem de Lata, um coração;  e o Leão, coragem. No caminho, encontram a bruxa das dificuldades e foram aprendendo a reconhecer as diferenças e as necessidades de cada um, enfrentando e superando as situações-limite, transformando as adversidades em oportunidades. Quando encontram o famoso Mágico de Oz, compreendem que tudo o que  buscavam estava dentro deles mesmos e que o potencial criativo para alcançar os objetivos está dentro de cada um.

Dessa história, surgem algumas leituras para a gestão educacional: liderança compartilhada e transformacional - caminhando em equipe, definindo a visão e a missão de maneira clara, estabelecendo objetivos e metas pontuais, acreditando que o poder para a mudança e a transformação está dentro da própria equipe; espiritualidade na instituição - a força motriz para a qualidade de vida; comunicação interpessoal; respeito às diferenças; construção da identidade coletiva; cultura do comprometimento; formação continuada da equipe, em prol da construção de uma instituição educacional reflexiva, interativa, dialógica e transformadora.

Assim, podemos sonhar, repensar a vida pessoal e institucional, repetindo a brilhante frase de Guimarães Rosa "O importante não é chegar nem partir, é a travessia".

Fonte: Revista Linha Direta
SILVA, M.E.A. Transformando adversidades em oportunidades. In: Revista Linha Direta,  Educação, por Escrito. Belo Horizonte,  Outubro 2010, p.32